Procurador Eduardo Serra fala durante formação

Em Santarém, MPT integra módulo de formação do programa “Escravo nem pensar!” sobre contaminação por mercúrio

Escrito por ASCOM em .

Procurador Eduardo Serra, coordenador do GT “Trabalho decente na mineração”, palestrou para profissionais das redes públicas de Saúde e Assistência Social.

 

Nos dias 13 e 14 de agosto, aconteceu em Santarém, no auditório da Secretaria Regional de Governo do Baixo Amazonas, o segundo módulo formativo do Programa "Escravo nem pensar!" no Tapajós (PA) 2026, cujo foco é o enfrentamento à contaminação por mercúrio dos trabalhadores e das comunidades impactadas pelo garimpo. O procurador do Trabalho Eduardo Serra, coordenador do Grupo de Trabalho (GT) “Trabalho decente na mineração” do Ministério Público do Trabalho, foi convidado a palestrar sobre o tema no 1º dia do evento.

Na exposição intitulada “Ações de combate à contaminação mercurial”, Eduardo Serra falou sobre as formas de atuação do MPT, citando a instauração de investigações e o ajuizamento de ações judiciais, passando pela atuação promocional e o acompanhamento da cadeia produtiva no setor da mineração, políticas públicas e tráfico de pessoas. “A contaminação mercurial é, a um só tempo, emergência de saúde pública e violação sistemática de direitos trabalhistas”, disse o procurador ressaltando que esse cenário reflete um modelo produtivo extrativista que reproduz um colonialismo crônico, que privilegia o valor das coisas sobre as pessoas, principalmente sobre os povos originários.

Para o coordenador do GT, a subnotificação de casos de contaminação por mercúrio não pode ser justificativa para a omissão, “enquanto o dado não existir, a política pública não será formulada, o orçamento não será alocado e a responsabilização não será possível”, afirma Serra. Segundo ele, nesse contexto, a rede de saúde é parceira estratégica no combate ao problema uma vez que consiste no único serviço público com presença capilar e com legitimidade de acesso junto ao trabalhador e à sua família, podendo registrar no atendimento aquilo que pode se tornar prova, procedimento e política.

Programa “Escravo nem pensar!”

O Programa promove a capacitação de profissionais das redes públicas de Saúde e Assistência Social sobre os temas do trabalho escravo, tráfico de pessoas e exploração sexual, visando qualificar o atendimento de trabalhadores e trabalhadoras vítimas dessas violações. A iniciativa é uma realização da ONG Repórter Brasil, com apoio do Ministério Público do Trabalho no Pará e Amapá e o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) e a parceria do Ministério da Saúde, Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Ministério do Trabalho e Emprego e Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará. Na região do Tapajós, o “Escravo nem pensar!” tem ações voltadas aos municípios de Itaituba, Jacareacanga, Santarém, Rurópolis, Trairão e Placas.

PA-PROMO 000214.2023.08.003/3 - 35

Ministério Público do Trabalho

Assessoria de Comunicação

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